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Memorial descritivo · RSC-TAE

Aline Cristina Viana Rocha

Nível pleiteadoRSC-VI
Publicado em04/08/2026

Os memoriais descritivos dos processos RSC-TAE são publicados no sítio eletrônico da instituição antes da decisão de deferimento ou indeferimento, conforme o art. 8º, inciso VII, e o art. 13, § 3º, do Decreto nº 13.048/2026, observada a Lei nº 13.709/2018 (LGPD).

Introdução

Este é meu Memorial Descritivo Profissional apresentado à Comissão para Reconhecimento de Saberes e Competências do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais como requisito parcial à obtenção do nível VI do RSC-PCCTAE. Conforme o mero "recorte de mim no lattes", sou mestre em Educação e Formação Humana na Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), autora da dissertação "Pedagogização do vestir racialmente orientada: as linhas dos modos de educar que costuram os modos de vestir de pessoas negras no Brasil", defendida em fevereiro de 2025; bacharela em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pelo Centro Universitário Newton Paiva (2009); licenciada em Pedagogia pelo Centro Universitário Newton Paiva (2023); especialista em Educação Especial e Inclusiva pela Faculdade de Educação São Luís (2018). Ingressou na carreira de técnico-administrativo em Educação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG) em 2017, no cargo de Assistente de Alunos. Como servidora efetiva, atualmente integra a equipe da Diretoria de Assuntos Estudantis da Pró-Reitoria de Ensino e Assuntos Estudantis, onde responde pela pasta de Políticas Inclusivas, acompanhando as ações dos Núcleos de Atendimento às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (NAPNEEs) dos campi do IFMG. Minha trajetória vai da Comunicação à Educação, num tempo entre costuras... Conforme "retalhos da minha história pregressa", sou Aline, uma belo-horizontina, a mais nova e única “menina” dos três filhos da relação de uma dona de casa e um eletricista. Cursei regularmente as etapas da educação básica em escolas públicas de Contagem e Belo Horizonte. Passei pelo jardim de infância Criança Feliz (do 1º ao 3º período da Educação Infantil), pela Escola Municipal José Ovídio Guerra (da 1ª à 6ª série do Ensino Fundamental), pela Escola Municipal Oswaldo França Junior (da 6ª à 8ª série do Ensino Fundamental), pela Escola Estadual Técnico Industrial Professor Fontes (1º ano do Ensino Médio), e pelo Instituto Estadual de Educação de Minas Gerais (2º e 3º ano do Ensino Médio). Leio e escrevo desde os 5 anos e sempre enxerguei a escola como refúgio, lugar onde eu podia viver coisas compatíveis com a minha idade a cada época da vida, encontrando uma paz rara no âmbito familiar. Minha vida é costurada pela minha relação com a moda: a paixão antiga pelas revistas do segmento; o interesse pelos desfiles; o encantamento pela magia das grifes; o arroubo por figurinos de produções teatrais, cinematográficas e teledramatúrgicas; a adesão aos truques de estilo; o sonho ainda não realizado de visitar polos da moda como Milão, Paris, Londres, Copenhague, Berlim, Nova Iorque, Tóquio e Seul; o regozijo ao frequentar lojas, bazares e brechós; o gosto por percorrer labirintos construídos com araras de roupas; o sabor de tocar tecidos e sentir as diferentes texturas; a aprendizagem e a prática do desenho de moda, do corte e da costura; a satisfação em customizar e fazer reparos em roupas; o esmero ao usar, ao lavar, ao passar e ao guardar, carinhosamente, cada peça no armário; a mania de categorizá-las por tipo, cores e usabilidade; o capricho cuidadoso de pendurá-las em cabides anatômicos revestidos de veludo preto; o planejamento antecipado do look do dia, ocorrido na noite anterior. Aos 15 anos de idade, estudei Estilismo e Desenho de Moda na unidade Tupinambás do Serviço Social do Comércio em Minas Gerais (SESC). O traçado habilidoso de croquis de moda e a criatividade pareciam indicar o caminho a ser seguido dali em diante. Ser estilista foi o primeiro desejo profissional a brotar do meu relacionamento com a moda, iniciado no adolescer. Designer, produtora, consultora, criadora de conteúdo e especialista em têxteis também foram profissões cogitadas em algum momento da minha vida. Mas, apesar da minha conexão com aquele universo, minha caminhada profissional é marcada por um quase incoerente desvio da faculdade de moda. No fim do percurso escolar básico, uma bolsa parcial me levou a uma faculdade privada, mas não ao curso de moda. O ano era 2005, estreia do Programa Universidade para Todos (PROUNI), lançado no primeiro mandato do presidente Lula. Eu tinha 18 anos ao tornar-me bolsista do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, no Centro Universitário Newton Paiva. Durante os 4 anos de graduação trabalhei, inicialmente, como recepcionista em uma clínica de radiologia e em uma imobiliária, até começar a estagiar nas diversas áreas do jornalismo. Enquanto estudante, experienciei a rotina de uma redação de jornal impresso, da produção de reportagens em dois canais de televisão e em agências de produção de notícias e conteúdos, áreas que alinharam meu perfil profissional e desenvolveram minha subjetividade jornalística. Minha carreira profissional foi construída no nicho da Comunicação Empresarial. Concomitantemente, voltei à unidade Tupinambás do SESC-MG em 2014 para estudar Corte e Costura. Comprei uma máquina de costura reta industrial e com o desenvolvimento de habilidades técnicas, comecei a customizar roupas, criando uma marca independente de customização. Além de customizar minhas próprias roupas, decidi ajudar outras pessoas a transformarem seus guarda-roupas com o que elas já tinham. Nesta época, ainda atuando como jornalista, participei de diversos programas de televisão dando dicas de aproveitamento e transformação de roupas, e concedi muitas entrevistas a jornais sobre sustentabilidade na moda. Assim, entendi que a assessoria de imprensa não era mais o que eu queria dali em diante. Após 10 anos de atuação intensa, parte na chefia de Comunicação em um grupo nacional de incorporação imobiliária, parte em uma das principais agências do setor em Belo Horizonte, resolvi encarar uma transição de carreira. Em 2015, prestes a completar 30 anos de idade e estafada de sentir aquele famoso desconforto emocional que assola muitas pessoas aos domingos, uma tristeza que antecede o início de mais uma semana de um trabalho que não nos satisfaz, perguntei-me: “onde eu fui mais feliz na vida?”. Minha resposta para mim mesma foi imediata e automática: “na escola”. Esse solilóquio me levaria à Educação, em mais um extravio na direção da moda, porém, entre a Comunicação e a Educação, meu tempo sempre esteve entre costuras. Em 2016, iniciei minha trajetória na Educação como monitora de Educação Inclusiva na Escola Municipal José Antônio Junior, no município de São Joaquim de Bicas, região metropolitana de Belo Horizonte. Para me situar neste novo mundo e atuar com mais responsabilidade no acompanhamento em sala de aula de estudantes com necessidades educacionais específicas, cursei uma Pós-graduação Lato sensu em educação Especial e Inclusiva na Faculdade de Educação São Luís, da Associação Jaboticabalense de Educação e Cultura. Com a moda sempre vibrando em minha vida somado ao desejo recente de “vestir a camisa” de uma causa tão fundamental como a inclusão de estudantes com necessidades educacionais específicas nas escolas, criei e lancei uma edição limitada de camisetas temáticas. O projeto de intervenção pedagógica "Inclusão na Moda” foi uma linha exclusiva de t-shirts personalizadas com frases inclusivas impressas no tecido (silk) e manualmente estampadas com pinturas feitas em parceria com as crianças e os adolescentes com deficiência intelectual, deficiência auditiva, deficiência visual, deficiências múltiplas, paralisia cerebral e transtorno do espectro autista matriculados na instituição. O objetivo foi destacar a presença desses alunos no ensino regular, chamando a atenção para a importância da socialização, do respeito às diferenças e da participação deles como membros efetivos da comunidade escolar. A contribuição do projeto, tanto para a sensibilização dos diversos atores da educação - gestores, corpo docente e discentes e demais funcionários e colaboradores -, quanto para a renovação do sentido de escolarização para estudantes que colecionam frustrações em um ambiente que deveria sempre despertar esperança, foi demonstração pela adesão à proposta. Ao todo foram produzidas 54 camisetas, adquiridas por servidores da escola, que apadrinharam os alunos custeando a camiseta de cada um. A escola, de fato, era meu lugar favorito. Em 2017, fui aprovada no concurso do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais, onde meu ingresso se deu em setembro daquele ano, como Assistente de Alunos do campus Ouro Branco. O jornalismo tinha ficado para trás de vez e a opção pelo acesso nesta instituição “via nível C” foi uma estratégia particular de realizar uma transição de carreira às avessas, ou seja, invertida: primeiro, o acesso a um campo fértil de trabalho; depois, a formação profissional para florescer e frutificar dentro deste campo. Dando sequência ao plano de transição de carreira, em 2018 iniciei a Licenciatura em Pedagogia no campus Ouro Branco. Foram 4 semestres cursados ali, no período noturno, no mesmo ambiente onde durante o dia eu atuava frente às relações institucionais do campus. Em dezembro de 2019, após um convite imediatamente aceito, iniciei meu exercício na Reitoria do IFMG, em Belo Horizonte, com o objetivo de compor a equipe da Diretoria de Assuntos Estudantis, na Pró-Reitoria de Ensino. com vigência enquanto houvesse interesse entre as partes. O retorno a Belo Horizonte ocasionou a transferência do curso de Licenciatura em Pedagogia para o Centro Universitário Newton Paiva, onde ganhei uma bolsa integral enquanto ex-aluna desta instituição, tendo cursado lá o Jornalismo entre 2005 e 2009. Meu ingresso no Programa de pós-graduação da Universidade do Estado de Minas Gerais se deu, em março de 2023,que resultou na pesquisa intitulada "Pedagogização do vestir racialmente orientada: as linhas dos modos de educar que costuram os modos de vestir de pessoas negras no Brasil", uma ousadia fundamentada especialmente na filosofia foucaultiana. Minha experiência pessoal com o vestir ganhou tom de incômodo coletivo e fôlego de problema de pesquisa sobre uma suposta necessidade de perseguição de uma aparência que compreende determinada noção de bem-vestir corroborante do consenso branco apresentado ao sujeito de racialidade inferiorizada como saída tangencial de situações discriminatórias encetadas por modos de vestir que acionam o imaginário coletivo do negro malvestido. Assim, muitas são as "camadas da minha tecitura profissional" no IFMG, conforme demonstrado no Formulário.

Atividades por requisito

art. 13, § 1º, I, do Decreto nº 13.048/2026

  1. Requisito I — Participação em grupos de trabalho, comissões, comitês, núcleos, representações ou similares

    • Exercício do mandato como membro de conselhos superiores e conselhos de unidades e órgãos colegiados da Instituição Federal de Ensino

      06/05/2019 a 23/12/2019 (7 meses e 18 dias → 1 unidade)

      1,00Por ano ou fração acima de 6 meses

    • Coordenação ou presidência de núcleos, representações, grupos de trabalho ou similares, comissões ou comitês previstos no âmbito da administração pública, regularmente instituídos, ou reconhecidos pelo órgão ou pela entidade

      2,00Por designação

    • Participação como membro de núcleos, representações, grupos de trabalho ou similares, comissões ou comitês previstos no âmbito da administração pública, regularmente instituídos

      9,00Por designação

  2. Requisito II — Projetos institucionais, gestão, ensino, pesquisa, extensão, inovação ou assistência

    • Coordenação de projetos institucionais (ensino, pesquisa, extensão, gestão e inovação)

      Vigente

      1,00Por projeto

    • Participação em atividades técnicas e/ou especializadas em projetos, incluída a elaboração de projetos pedagógicos, programas e/ou ações institucionais (ensino, pesquisa, extensão, gestão e inovação)

      7,00Por projeto

    • Participação em capacitação, fórum, oficina, workshop e congresso, com carga horária mínima de dez horas, vinculada aos interesses da Instituição Federal de Ensino

      12,00Por evento

  3. Requisito IV — Responsabilidades técnico-administrativas e/ou especializadas

    • Elaboração de projeto básico ou de termo de referência, ou participação como membro de equipe de planejamento de contratação

      1,00Por designação

    • Exercício de atividades de gestão ou fiscalização de contratos de aquisição, serviços, convênios e acordos ou instrumentos correlatos

      2,00Por designação

  4. Requisito V — Funções ou cargos de direção e assessoramento institucional

    • Exercício de Função Gratificada (FG-01 e 02) ou equivalente — Titular

      28/04/2025 a 07/08/2026 (1 ano, 3 meses e 11 dias → 1 unidade)

      Vigente até o momento

      1,00Por ano ou fração acima de seis meses

  5. Requisito VI — Produção, prospecção e difusão de conhecimento

    • Conclusão de curso de educação formal superior ao exigido para o ingresso no cargo de que é titular e que não seja utilizado para percepção de Incentivo à Qualificação — IQ

      3,00Por curso

    • Publicação ou organização de livro relacionado aos interesses institucionais (com ISBN e Conselho Editorial)

      2,00Por produto

    • Autoria ou coautoria de capítulo de livro, de artigo publicado em revista especializada, jornal científico ou periódico, relacionado aos interesses institucionais

      2,00Por publicação

    • Apresentação de trabalho de interesse institucional em congresso, seminário ou outros eventos

      2,00Por produto

    • Produção de material técnico, científico, metodológico ou administrativo estruturado que visa à difusão do conhecimento

      4,00Por produto

    • Avaliação do projeto de ensino e/ou pesquisa e/ou extensão e/ou inovação

      1,00Por projeto

Conclusão

Diante do exposto, entendo que as atividades, qualificações e competências aqui descritas e comprovadas atendem aos requisitos do nível de RSC pleiteado, nos termos do Decreto nº 13.048/2026. Coloco-me à disposição da comissão avaliadora para os esclarecimentos que se fizerem necessários e reafirmo a veracidade das informações e dos documentos apresentados neste memorial.

Memorial publicado antes da decisão da CRSC-PCCTAE, conforme os arts. 8º, VII e 13, § 3º do Decreto nº 13.048/2026.

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